O Mal de Desembarque (Mal de Débarquement Syndrome – MdDS) corresponde a uma perturbação rara do sistema vestibular, caracterizada por uma sensação persistente de balanço, oscilação ou flutuação, habitualmente após uma viagem de barco, cruzeiro, avião ou outro meio de transporte sujeito a movimento contínuo. Enquanto na maioria das pessoas esta sensação desaparece espontaneamente em minutos ou horas, num pequeno grupo de doentes os sintomas persistem durante semanas, meses ou mesmo anos, comprometendo significativamente a qualidade de vida.
Os doentes descrevem uma sensação contínua de caminhar sobre um barco, andar sobre colchão ou flutuar, agravada quando permanecem parados em pé ou sentados. Curiosamente, durante viagens de automóvel os sintomas tendem a diminuir, reaparecendo após o fim do movimento. Não existe habitualmente vertigem rotatória, mas podem associar-se instabilidade, fadiga, dificuldade de concentração, sensação de cabeça pesada, ansiedade e intolerância a ambientes visualmente complexos. A persistência dos sintomas conduz frequentemente a limitação da atividade profissional e social. (MdDS Foundation)
A causa exata permanece por esclarecer, admitindo-se que resulte de uma incapacidade do cérebro em readaptar os mecanismos centrais de integração vestibular após exposição prolongada ao movimento passivo. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história do doente, sendo fundamental excluir outras causas de vertigem e perturbação do equilíbrio, nomeadamente défices vestibulares periféricos, enxaqueca vestibular e Vertigem Postural Perceptual Persistente (3PD), entidades com as quais pode coexistir ou ser confundido. (MdDS Foundation)
A avaliação em consulta de Otoneurologia, associada quando necessário a exames complementares de estudo da função vestibular, permite estabelecer o diagnóstico e definir a estratégia terapêutica mais adequada. A Reabilitação Vestibular, adaptada às características de cada doente, constitui uma das principais ferramentas terapêuticas, podendo ser complementada por tratamento farmacológico em situações selecionadas. O reconhecimento precoce desta entidade evita exames desnecessários, reduz a ansiedade associada aos sintomas persistentes e permite uma abordagem mais dirigida, favorecendo a recuperação funcional.