A Vertigem é um dos problemas de saúde mais frequentes nos adultos. Cerca de 20% dos indivíduos entre os 18 e os 65 anos de idade já tiveram um episódio de vertigem ou perturbação do equilíbrio. Na população acima dos 65 anos, a vertigem corresponde ao terceiro motivo de consulta da especialidade de medicina geral e familiar, sendo mais prevalente no sexo feminino. Na população idosa, as quedas podem ser uma consequência dos episódios de vertigem e perturbação do equilíbrio com consequências muitas vezes fatais.
Longe vão os tempos em que as queixas de tonturas e vómitos associados, eram tratados como transtornos gastrointestinais. Era prescrito um medicamento para o enjoo e repouso. Hoje, depois de afastadas as causas sistémicas como alterações da pressão arterial, problemas cardíacos, alteração dos açucares e excluídas situações neurológicas como acidentes vasculares cerebrais, o doente é habitualmente encaminhado para a especialidade de Otorrinolaringologia. Contudo, só o domínio em simultâneo de competências da Otorrinolaringologia e da Neurologia, permite um diagnóstico e correta orientação destes doentes.
A importância do ouvido interno na origem da Vertigem e das Perturbações do Equilíbrio começa a ser do domínio público. A noção de que só o correto diagnóstico permite o tratamento eficaz e o regresso precoce à atividade laboral, ou no caso dos idosos à manutenção da autonomia, leva cada vez mais pessoas à procura de ajuda especializada.
Se a história clínica e o exame físico permitem em algumas situações fazer o diagnóstico (caso da Vertigem Paroxística Posicional Benigna) e o tratamento imediato sem recurso a medicamentos (estamos a falar de Manobras de Reposicionamento ou Libertadoras de Partículas), noutras, só o recurso a exames complementares de diagnóstico (videonistagmografia, vídeo head impulse test, potenciais evocados vestibulares, posturografia dinâmica computorizada) possibilitam a orientação terapêutica correta.